11 abr, 2009
Conhecimento. Reportagem do Almanaque Educação, TV Cultura, 2009
Posted by: mknobel In: Divulgação Científica| Educação
11 abr, 2009
Posted by: mknobel In: Divulgação Científica| Educação
A Editora da Unicamp acaba de lançar o terceiro título da coleção “Meio de Cultura”, que coordeno. Trata-se do belo livro do Nicola Nosengo, autor italiano, que tem um nome bem intrigante: ”
A extinção dos tecnossauros. Histórias de tecnologias que não emplacaram”.
É um livro escrito com bom humor, leve e de leitura agradável. Recomendo a todos. Para comprá-lo, basta clicar aqui.
Vejam aqui um trechinho da introdução:
“Este livro nasce da idéia de que se pode compreender, na verdade, a transformação tecnológica apenas observando dela o lado menos iluminado: seus becos sem saída, suas derrotas. Tecnologias que teriam mudado o mundo e permaneceram confinadas nos laboratórios, produtos que o mercado recusou, máquinas que, após terem sido usadas cotidianamente por décadas, desapareceram e hoje se encontram apenas nos museus. Dinossauros tecnológicos, enfim: tecnossauros. O intento não é este, tão fácil quanto inútil, de dessacralizar ciência e técnica, fazendo escárnio, a posteriori, de algum projetista azarado ou de uma pesquisa de mercado errada; é muito mais o que aproveitar dos fracassos, que são momentos de crise de um sistema, para evidenciar os lugares-comuns nos quais se baseia a nossa percepção da inovação tecnológica. É justamente quando um sistema entra em crise que se abre uma brecha para entendê-lo, porque tudo aquilo que era normalmente dado como certo se revela de repente falso.”
Este ano estão ocorrendo as eleições para a Reitoria da Unicamp. Estou apoiando o Prof. Fernando Costa e o Prof. Edgar De Decca, que constituem a proposta denominada “Ampliando Horizontes“. Confira no site da campanha o projeto de gestão, e as discussões sobre a Universidade.
26 jan, 2009
Posted by: mknobel In: Divulgação Científica| Educação| Museus de ciências| Sem categoria
O renomado pesquisador Bruce V. Lewenstein acaba de organizar um extenso relatório sobre ensino de ciências em ambientes não formais, que foi publicado pela U.S. National Academies of Sciences: http://www.nationalacademies.org/morenews/20090114.html.
Dá para ler o relatório on-line gratuitamente, mas quem quiser também pode pagar para ter a versão completa em PDF. Vale a pena conferir….
Estes são os melhores videos de ciência de 2008, compilados pela revista Wired:
Top 10 Chemistry, Biology, and Physics Videos
The best way to teach science is with hands-on experiments, but short
video clips are a terrific way to get students excited and teach
concepts that are hard to illustrate on a chalkboard. Over the past
year, Wired Science has compiled a list of the very best science
videos from chemistry, physics, and biology. They can be used as a
supplement for science classes of any grade level.
In the coming years, as more content makes its way to YouTube and
Flickr, it should be possible to find a video clip or set of slides to
complement any lesson — regardless of the topic. For now, these clips
are a good start.
Top 10 Chemistry Videos
Topics: Thermite vs. Liquid Nitrogen, Gummy Bear Oxidized by Potassium
Chlorate, German Scientist Spits Flaming Spores, The PCR Song, The
Undulating Briggs Rauscher Reaction, How to Make Stalagmites
Instantly, Elephant Toothpaste, How to Make Glow Sticks, The Inner
Life of a Cell, Magnesium Burning Between Bricks of Dry Ice
Top 10 Physics Videos
Topics: Musical Tesla Coil, Mythbusters Play with Sulfur Hexafluoride,
Boomerang in Zero Gravity, Helium Superfluid, Supersonic Halo, Sound
Waves on Fire, Water in Zero Gravity, Ferrofluids, How Superconducting
Levitation Works, Large Hadron Collider Rap
Top 10 Biology Videos
Topics: Immune Cell Chasing a Bacterium, How High Speed Gene
Sequencing Works, Shrimp Jogging on a Treadmill, All About the Heart,
The PCR Song, Glowing Mice and Stem Cells, DNA Oragami, Cyborg Monkey
Controls Robot Arm, Evolution and Human Ancestry, Building Body Parts
from Scratch
Fonte: http://blog.wired.com/geekdad/2008/12/youtubes-less-1.html
15 out, 2008
Posted by: mknobel In: Eisenhower Fellowships
Ontem participei de uma reunião importante no CBA, no Rio de Janeiro. Pela manhã, fizemos algumas entrevistas para a próxima turma da Eisenhower Fellowships, que terá como tema principal Energia e Ambiente. À tarde, fizemos uma reunião de Fellows brasileiros, onde discutimos a criação da associação brasileira de Fellows. Essa iniciativa permitirá uma ação mais focada e atuante dos Fellows brasileiros, sendo a formalização necessária para facilitar novas inicitativas no futuro próximo.
O assunto relacionado com ética em ciência tem aparecido na mídia nestes últimos tempos, devido à questão ocorrida no IF-USP. Abaixo transcrevo um artigo bastante completo que saiu no Valor Econômico, e reproduzido no Jornal da Ciência (http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=59193).
Carla Rodrigues escreve para o “Valor Econômico”:
Primeiro, a boa notícia: o porcentual de participação da América Latina no total de publicações científicas quase dobrou nos últimos anos. Saiu de 1,8% entre 1991 e 1995 para 3,4% de 1999 a 2003, segundo a Unesco.
Agora, a má notícia. No rastro desse crescimento, surgiu outro fenômeno do qual a comunidade científica tem menos razões para se orgulhar: o plágio intelectual, que há tempos se configura como um problema para grandes universidades no exterior e acaba de causar estragos na Universidade de São Paulo (USP).
Na segunda-feira, o Conselho Curador da Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest) aceitou o pedido de demissão, feito “em caráter irrevogável”, do professor Nelson Carlin, que até então era seu vice-diretor. Denunciado por fraude intelectual, ele recebeu uma moção de censura da reitoria, insuficiente para aplacar os problemas causados pelo episódio.
Só no ano passado, o Escritório de Integridade em Pesquisa (ORI) dos Estados Unidos recebeu 217 denúncias de plágio, abriu 14 investigações, encerrou 28 inquéritos - dos quais 10 registraram má conduta em pesquisa - e puniu 7 pesquisadores com medidas que incluem suspensão de financiamento e cassação de registro. Por falta de um organismo que cuide da questão no Brasil, não é possível contabilizar os casos de má conduta e medir o estado da integridade da pesquisa no país.
Por aqui, são situações exemplares que fazem barulho, como o caso envolvendo Carlin. O escândalo começou no Instituto de Física da USP, no ano passado, quando o professor Mahir Hussein acusou Carlin de ter copiado extensas partes de seus textos em artigo publicado no volume 75 da revista “Physical Review C”.
Além da acusação de cópia, uma contagem de palavras indica que menos de 23% do artigo publicado é original. A apuração foi encerrada com o pedido de demissão de Carlin depois de um comunicado da reitoria que reconhecia o plágio e aplicava a moção de censura aos autores.
Diz o documento: “Embora os trabalhos científicos que foram objeto da investigação contenham pesquisa original, houve um desvio ético na redação dos mesmos por uma inaceitável falta de zelo na preparação dos artigos publicados. Isso resultou na consignação, pela comissão, de uma moção de censura ética aos autores, pela não-observância dos preceitos éticos da Universidade.”
A moção de censura, distribuída por escrito ao corpo docente da USP, não foi exatamente bem recebida. Primeiro, por ter sido precedida de um comunicado oficial que pretendia manter silêncio sobre o caso. Depois, porque, desde que divulgada, os protestos contra o tratamento brando aos acusados de plágio se multiplicaram. Artigo do colunista da “Folha de S.Paulo” Marcelo Leite exigia da reitoria da USP uma “explicação completa do caso”.
Embora o esclarecimento não tenha vindo, na trilha do texto de Leite houve numerosos protestos que fizeram eco à indignação do jornalista, ele mesmo ex-aluno da USP. Questões como o futuro da produção acadêmica no Instituto de Física e na universidade, a prática do autoplágio, os riscos de desmoralização do vestibular, já que Carlin era vice-reitor da Fuvest, e a importância de uma cultura que puna iniciativas de fraudes nos artigos científicos foram alguns dos pontos em discussão.
Desde que foi denunciado, o episódio de fraude suscitou amplo debate sobre o tema. As páginas das publicações dedicadas à ciência estão repletas de especialistas que discutem questões voltadas para ética em pesquisa, como a fraude pode ser evitada e quanto a “pressão por resultados” pode influenciar a baixa qualidade dos trabalhos, muitos deles se multiplicando pelo artifício do autoplágio.
“Não existe nenhum indício de que a incidência de faltas éticas nas universidades brasileiras seja superior ao que ocorre no resto do mundo”, diz o professor do Instituto de Física Paulo Nussenzveig, que foi a público reivindicar a transparência nas investigações na USP. “Quando há uma denúncia, as instituições só podem resguardar sua imagem ao reagir vigorosamente, informando que atitudes, como falsificação de dados, plágio, duplicação de publicação, são práticas inaceitáveis.”
O professor critica também a falta de transparência na maioria dos casos. “Ao manterem-se dúbios, frustram as expectativas daqueles que buscam justiça, minando sua confiança nas diretrizes éticas da instituição.” Ele contraria, dessa forma, muitos de seus colegas que preferiam ver o caso da universidade paulista definitivamente silenciado.
Embora existam instrumentos institucionais para lidar com as denúncias, como códigos de ética e comissões de ética em pesquisa, outros países dispõem de mecanismos superiores que fizeram falta no processo da USP. Nussenzveig cita exemplos como o dos EUA ou da Alemanha, onde códigos federais de conduta permitem processos jurídicos em âmbito criminal e cível contra o pesquisador.
“Isso fornece parâmetros para as instituições, conferindo alguma uniformidade ao sistema”, explica. Demonstra, ainda, a crescente preocupação mundial com o problema da integridade em pesquisa, campo ainda em construção no Brasil.
No ano passado, o ORI dos EUA e o Comitê Europeu de Ciências promoveram o primeiro congresso internacional sobre o tema. Embora 47 países estivessem representados, só havia 3 participantes da América Latina.
A única brasileira era Sonia Vasconcelos, pesquisadora do Programa de Educação, Gestão e Difusão em Biociências do Instituto de Bioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que pôde participar de debates sobre as iniciativas de agências de financiamento, universidades e editores das principais revistas científicas para estabelecer medidas mais efetivas para lidar com casos de má conduta em pesquisa.
“Vários países do Ocidente seguem a noção de originalidade textual, o que não é necessariamente compartilhado por diferentes culturas. Em países como Cingapura, China e Coréia, identidade autoral e originalidade textual estão impregnadas da noção confuciana de propriedade intelectual, que tem um caráter bem mais coletivo. Para autores dessas culturas, os limites de originalidade textual podem ser interpretados de forma peculiar”, explica Sonia.
Já a bióloga Márcia Triunfol, doutora em patologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com pós-doutorado nos EUA, onde viveu os últimos 12 anos, voltou recentemente para o Brasil e fundou a Publicase, empresa pioneira em comunicação científica.
Seu trabalho é o de ajudar os departamentos das universidades a aumentar sua capacidade de publicação, um dos critérios de avaliação que mais influenciam na hora de obter financiamento para pesquisas. “Há uma necessidade imensa no Brasil”, diz. O que Márcia ensina aos doutores não está no currículo da maioria dos cursos. “Não se aprende redação científica na universidade.”
Um dos muitos obstáculos que os pesquisadores brasileiros enfrentam é a dificuldade com o idioma. Alguns autores, diante da incapacidade de desenvolver uma redação própria em inglês, montam textos que são recortes e colagens de frases prontas, retiradas de diferentes artigos. Como o inglês é a língua hegemônica do campo científico - mais de 95% dos artigos na base de dados do Science Citation Index são no idioma -, o pleno domínio da língua é exigência fundamental para quem pretende publicar.
Em estudo recentemente publicado no “Embo Reports”, do grupo Nature, pesquisadores brasileiros mostraram como a competência lingüística pode influenciar positivamente a produção e o impacto da pesquisa científica. Esse estudo - parte da pesquisa de doutorado de Sonia Vasconcelos - mostra que entre 40% e 50% dos cerca de 52 mil pesquisadores brasileiros com doutorado em 2005 consideram ter habilidade escrita em língua inglesa bem desenvolvida, conforme dados do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
O extenso relatório anual do Escritório de Integridade Científica indica que nos EUA a ênfase é em medidas preventivas que começam na graduação. Durante um ano - dos 18 em que trabalhou na Universidade de Notre Dame -, o antropólogo Roberto Da Matta presidiu o Comitê de Honra da faculdade, que chegou a ser acionado numa denúncia de plágio. Lá, como em qualquer universidade nos EUA, o aluno assina um termo de compromisso quando se matricula. Se flagrado em qualquer prática fraudulenta, vai a julgamento no comitê interno e pode ser expulso.
“O que aprendi em Harvard é que sempre devemos citar nossos mentores, nossos financiadores e as instituições que nos acolheram”, diz Da Matta. Ele lamenta que a prática da citação esteja quase em desuso: “Em um sistema acadêmico consistente, citar deve ser um prazer e um orgulho”.
Por aqui, a fraude é prática corrente entre universitários. Professora do Departamento de Política Científica e Tecnológica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a socióloga Maria Teresa Citeli já encontrou plágios até em trabalhos de alunos de uma disciplina de graduação na qual discute o clássico “Raízes do Brasil”, de Sérgio Buarque de Hollanda.
Mesmo depois de ler o capítulo sobre o “homem cordial” - expressão do autor para se referir à escassa rigidez ética dos brasileiros em determinadas questões -, alunos ainda ignoram o conteúdo do texto e usam expedientes heterodoxos de copiar trabalhos de colegas ou disponíveis na internet. “São textos falando de moralidade, mas eles nem percebem que também estão fazendo algo imoral.” Ela adotou como regra reprovar quem copia e quem fornece material para a cópia.
Na Universidade de Brasília (UnB), a professora Dora Porto avalia a gravidade do caso antes de decidir que providências tomar. Em qualquer situação de plágio o aluno é chamado para uma conversa. Estudantes de graduação que apresentam cópias de textos capturados na internet são informados sobre as conseqüências do plágio, prática ilícita que pode ser enquadrada na lei de direitos autorais. “Como editora, recuso terminantemente os trabalhos nos quais detecto plágio.”
Situação já enfrentada pelo editor e professor Marcelo Hermes de Lima, do Instituto de Biologia da UnB, que retirou um artigo da versão online do periódico “PLoS One”. Os autores do texto plagiado foram punidos com dois anos de suspensão, período durante o qual ficam proibidos de publicar na revista. As regras de submissão de trabalho são explícitas contra o plágio e estão disponíveis no site da revista, comportamento raro nas publicações acadêmicas brasileiras, que oferecem poucas informações ao autor sobre os compromissos que ele assume ao veicular um artigo científico.
‘”Estamos aprovando doutores com trabalhos que há dez anos não seriam aceitos como monografias de graduação”, acusa Lima, um crítico veemente da política oficial. “Hoje, o que importa é que papers sejam produzidos, copiados ou não, e neste ano o Brasil chegue ao 14º lugar em número de papers no mundo”, afirma.
Essa meta está ligada a outro objetivo quantitativo: chegar a 16 mil doutores em 2010, o que, segundo ele, só será alcançado em detrimento dos critérios de qualidade. Lima faz uma relação direta entre a moção de censura da USP a esse tipo de cultura do produtivismo. “A USP só faltou dar uma medalha aos pilantras, o que não ajuda nem contribui em nada para a discussão da ética na pesquisa.”
Apoiado em dados quantitativos sobre o crescimento da produção acadêmica brasileira - em 1990, o Brasil respondia por apenas 0,5% da produção científica mundial, porcentual que subiu para 2% -, ele afirma que hoje a quantidade cresceu, mas a qualidade, quando medida pelo número de citações dos papers, caiu: enquanto os textos produzidos no Brasil obtêm apenas 3,5 de citação por paper, nos países desenvolvidos esse número varia entre 5,5 e 8,5 citações por trabalho.
“A pressão por produção não é privilégio do Brasil, é mundial”, diz o professor Sérgio Ferreira, do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ. “É possível publicar sem produzir nada de impacto no meio científico”, argumenta. Para ele, o problema está justamente na falta de ousadia que leva um pesquisador a preferir publicar dez artigos mais ou menos garantidos a se arriscar com dois textos mais inovadores, que vão, no entanto, render pontuação menor no seu Currículo Lattes, o sistema do CNPq de medição dos indicadores de desempenho e produtividade do pesquisador.
“Há no Brasil uma tendência exagerada nos critérios quantitativos”, observa Ferreira. Segundo ele, o ideal seria que projetos e pesquisadores pudessem ser avaliados pelo conteúdo do que fazem, considerando itens como inovação e ousadia. Como método, ele sugere que o pesquisador, ao relacionar seus trabalhos mais importantes, apresente também uma breve resenha do que escreveu. “Pode ser ingênuo, mas seria uma forma de julgar também a qualidade”, defende.
Para Dora Porto, a pressão para publicar pode influenciar negativamente a qualidade de um dado trabalho, mesmo que não se esteja falando de fraude. “Sem tempo para refletir ou aprofundar a reflexão, é possível que se produza material de menor qualidade”, alerta, lembrando que na maioria das vezes os pesquisadores são reconhecidos pela quantidade de publicações que tenham amealhado ao longo da vida profissional.
“Clube da co-autoria”, autoplágio e outros jeitinhos
A experiência do professor Marcelo Hermes de Lima, do Instituto de Biologia da Universidade de Brasília (UnB), como editor de revista científica o levou a mapear os diversos tipos de fraude intelectual. Há o que ele chama de “clube da co-autoria” - mais comum nas ciências exatas, nas quais o orientador é forçosamente co-autor do texto -, que funciona como um instrumento de multiplicação do número de artigos que cada autor publica.
Como trabalham em rede, todos os textos são assinados por todos os integrantes do grupo, permitindo que cada um engorde seu currículo com cerca de 25 textos por ano. A bióloga Márcia Triunfol afirma que, para se defender da prática, revistas internacionais já começam a recusar textos com dez autores e exigem que o artigo discrimine o que cada um fez no trabalho. Como a pesquisa brasileira é sempre muito pobre de recursos, muitas vezes um cientista que cede ao colega uma enzima cara ganha seu nome como autor do texto como forma de reconhecimento da participação.
Na área de meio ambiente, muitas razões podem levar um pesquisador a ganhar co-autoria em um trabalho, explica o diretor do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico, Fabio Scarano. Muitas vezes, o taxonomista - aquele que nomeou a planta - pode ter dado uma contribuição pequena em termos de pesquisa, mas teve participação fundamental no “batismo”, sendo consagrado como co-autor. “Além do mais, como é uma área multidisciplinar, é comum haver trabalhos com até 15 autores”, explica Scarano.
Para ele, a ética na pesquisa deve incluir questões como a publicação de artigos que atendem a interesses de laboratórios médicos. “Até que ponto isso é mais ou menos ético?”, questiona. Scarano lembra ainda que decisões como usar um animal ou matar uma árvore para realizar pesquisas também podem ser comportamentos eticamente questionáveis.
São essas as questões para as quais o Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) se preparou para enfrentar. O médico e professor Dirceu Greco já foi presidente do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e hoje representa a universidade no Conep, fórum que, reconhece ele, não discute temas como plágio ou fraude intelectual.
Segundo Greco, o mais comum é que o problema apareça no momento da publicação e fique de fora das atribuições dos comitês, mais voltados para proteger voluntários em testes, entrevistas ou outras experiências científicas. “Trabalhamos para diminuir o problema no início da pesquisa”, esclarece.
Um dos problemas mais difíceis de detectar é o autoplágio, que pode ser definido como uma técnica de duplicação de um artigo pelo seu autor, que, mediante pequenas alterações, publica o mesmo texto em diferentes revistas.
O comportamento é fenômeno mundial de tamanha proporção que já existe na internet uma base de dados que identifica artigos similares ou duplicados. Sob o sugestivo nome de Déjà Vu, o site (http://spore.swmed.edu/dejavu/) é mantido pelo Centro Médico da Universidade do Texas e relaciona 144 mil artigos em que alguma duplicação de citação é identificada, apontando para o primeiro indício de autoplágio. Baseado no programa eTBLAST, é um dos muitos sistemas disponíveis na internet para detectar cópias de textos. O Plagiarism, por exemplo, custa US$ 250 e promete “encorajar a honestidade acadêmica”.
Outro tipo de fraude é a estratégia de “quebrar” um artigo em várias partes e distribuí-lo para diversas revistas, aumentando as possibilidades de publicação. Ainda que não seja exatamente uma cópia, é o que Lima considera um “método eticamente fraudulento”, na medida em que divide o conteúdo relevante de uma pesquisa em textos distintos. Ele explica a fraude como resultado da pressão por publicação, que acabaria alimentando a indústria do plágio. Algo como explicar roubo como método para resolver uma necessidade.
(Valor Econômico, 10/10)
Neste sábado, dia 11 de outubro de 2008, estaremos lançando, na Exposição Einstein às 17:00 Hs, o segundo título da Coleção “Meio de Cultura”, da Editora da UNICAMP. Trata-se do livro do Marcelo Leite, chamado “Ciência - use com cuidado” (ISBN: 978-85-268-0801-0, 1a edição, 2008; 280 páginas; formato: 14 x 21 cm). Vale a pena conferir! Segue, abaixo, uma descrição do livro. Confiram!
Sinopse: A ciência natural parece hoje desconectada da cultura. O fosso aparente entre os dois mundos - de um lado as ciências duras, de outro as humanidades - não intimida Marcelo Leite, jornalista que há três décadas busca reabrir um terreno comum de reflexão na esfera pública. Com suas colunas dominicais no jornal Folha de S.Paulo, publicadas desde 2002, ele se dedica a alargar o próprio conceito de ciência, refém da hipervalorização do controle sobre a natureza. Ciência - Use com cuidado é uma seleta de 80 desses textos críticos e provocativos, que ao mesmo tempo convidam à aventura de conhecer o mundo como ele é - e como pode ser.
Gostaria de compartilhar este interessante artigo, que recebi através da newsletter eSkeptic, e que está disponível na página http://www.skeptic.com/eskeptic/08-10-08.html.
by Harriet Hall, M.D.
By definition, “alternative” medicine consists of treatments that have not been scientifically proven and that have not been accepted into mainstream medicine. The question I keep hearing is, “But what about acupuncture? It’s been proven to work, it’s supported by lots of good research, more and more doctors are using it, and insurance companies even pay for it.” It’s time the acupuncture myth was punctured — preferably with an acupuncture needle. Almost everything you’ve heard about acupuncture is wrong.
To start with, this ancient Chinese treatment is not so ancient and may not even be Chinese! From studying the earliest documents, Chinese scholar Paul Unschuld suspects the idea may have originated with the Greek Hippocrates of Cos and later spread to China. It’s definitely not 3000 years old. The earliest Chinese medical texts, from the 3rd century BCE, do not mention it. The earliest reference to “needling” is from 90 BCE, but it refers to bloodletting and lancing abscesses with large needles or lancets. There is nothing in those documents to suggest anything like today’s acupuncture. We have the archaeological evidence of needles from that era — they are large; the technology for manufacturing thin steel needles appropriate for acupuncture didn’t exist until about 400 years ago.
The earliest accounts of Chinese medicine reached the West in the 13th century: they didn’t mention acupuncture at all. The first Westerner to write about acupuncture, Wilhelm ten Rhijn, in 1680, didn’t describe acupuncture as we know it today: he didn’t mention specific points or “qi;” he spoke of large gold needles that were implanted deep into the skull or “womb” and left in place for 30 respirations.
Acupuncture was tried off and on in Europe after that. It was first tried in America in 1826 as a possible means of resuscitating drowning victims. They couldn’t get it to work and “gave up in disgust.” I imagine sticking needles in soggy dead bodies was pretty disgusting.
Through the early 20th century, no Western account of acupuncture referred to acupuncture points: needles were simply inserted near the point of pain. Qi was originally vapor arising from food, and meridians were channels or vessels. A Frenchman, Georges Soulie de Morant, was the first to use the term “meridian” and to equate qi with energy — in 1939. Auricular (ear) acupuncture was invented by a Frenchman in 1957.
The Chinese government tried to ban acupuncture several times, between 1822 and World War II during the time of the Chinese Nationalist government. Mao revived it in the “barefoot doctor” campaign in the 1960s as a cheap way of providing care to the masses; he did not use it himself because he did not believe it worked. It was Mao’s government that coined the term “traditional Chinese medicine” or TCM.
In 1972 James Reston accompanied Nixon to China and returned to tell about his appendectomy. It was widely believed that his appendix was removed under acupuncture anesthesia. In reality, acupuncture was used only as an adjunct for pain relief the day after surgery, and the relief was probably coincident with the expected return of normal bowel motility. A widely circulated picture of a patient allegedly undergoing open heart surgery with acupuncture anesthesia was shown to be bogus. If acupuncture is used in surgery today, it is used along with conventional anesthesia and/or pre-operative medication, and it is selected only for patients who believe in it and are likely to have a placebo response.
As acupuncture increased in popularity in the West, it declined in the East. In 1995, visiting American physicians were told only 15–20% of Chinese chose TCM, and it was usually used along with Western treatments after diagnosis by a Western-trained physician. Apparently some patients choose TCM because it is all they can afford: despite being a Communist country, China does not have universal health coverage.
There were originally 360 acupuncture points (loosely based on the number of days in a year rather than on anatomy). Currently more than 2000 acupuncture points have been “discovered”, leading one wag to comment that there was no skin left that was not an acupuncture point. There were either 9, 10, or 11 meridians — take your pick. Any number is as good as another, because no research has ever been able to document the existence of acupuncture points or meridians or qi.
Does acupuncture work? Which type of acupuncture? And what do you mean by “work”? There are various different Chinese systems, plus Japanese, Thai, Korean and Indian modalities, most of which have been invented over the last few decades: whole body or limited to the scalp, hand, ear, foot, or cheek and chin; deep or superficial; with electrified needles; with dermal pad electrodes and no skin penetration.
Acupuncture works in the same manner that placebos work. It has been shown to “work” to relieve pain, nausea, and other subjective symptoms, but it has never been shown to alter the natural history or course of any disease. Today it’s mostly used for pain, but early Chinese acupuncturists maintained that it was not for the treatment of manifest disease, that it was so subtle that it should only be employed at the very beginning of a disease process, and that it was only likely to work if the patient believed it would work. Now there’s a bit of ancient wisdom!
Studies have shown that acupuncture releases natural opioid pain relievers in the brain: endorphins. Veterinarians have pointed out that loading a horse into a trailer or throwing a stick for a dog also releases endorphins. Probably hitting yourself on the thumb with a hammer would release endorphins too, and it would take your mind off your headache.
Psychologists can list plenty of other things that could explain the apparent response to acupuncture. Diverting attention from original symptoms to the sensation of needling, expectation, suggestion, mutual consensus and compliance demand, causality error, classic conditioning, reciprocal conditioning, operant conditioning, operator conditioning, reinforcement, group consensus, economic and emotional investment, social and political disaffection, social rewards for believing, variable course of disease, regression to the mean — there are many ways human psychology can fool us into thinking ineffective treatments are effective. Then there’s the fact that all placebos are not equal — an elaborate system involving lying down, relaxing, and spending time with a caring authority can be expected to produce a much greater placebo effect than simply taking a sugar pill.
There are plenty of studies showing that acupuncture works for subjective symptoms like pain and nausea. But there are several things that throw serious doubt on their findings. The results are inconsistent, with some studies finding an effect and others not. The higher quality studies are less likely to find an effect. Most of the studies are done by believers in acupuncture. Many subjects would not volunteer for an acupuncture trial unless they had a bias towards believing it might work. The acupuncture studies coming from China and other oriental countries are all positive — but then nearly everything coming out of China is positive. It’s not culturally acceptable to publish negative results because researchers would lose face and their jobs.
The biggest problem with acupuncture studies is finding an adequate placebo control. You’re sticking needles in people. People notice that. Double blinding is impossible: you might be able to fool patients into thinking you’ve used a needle when you haven’t, but there’s no way to blind the person doing the needling. Two kinds of controls have been used: comparing acupuncture points to non-points, and using an ingenious needle in a sheath that appears to have penetrated the skin when it hasn’t.
In George Ulett’s research, he found that applying an electrical current to the skin of the wrist — a kind of TENS (transcutaneous electrical nerve stimulation) treatment — worked just as well as inserting needles, and one point on the wrist worked for symptoms anywhere in the body.
Guess what? It doesn’t matter where you put the needle. It doesn’t matter whether you use a needle at all. In the best controlled studies, only one thing mattered: whether the patients believed they were getting acupuncture. If they believed they got the real thing, they got better pain relief — whether they actually got acupuncture or not! If they got acupuncture but believed they didn’t, it didn’t work. If they didn’t get it but believed they did, it did work.
Acupuncturists have used ingenious rationalizations to try to salvage failed studies. In a recent study using sham acupuncture as a control, both the sham placebo acupuncture and the true acupuncture worked equally well; both were better than no treatment. The obvious conclusion was that acupuncture was no better than a placebo. Instead, the researchers insisted that real acupuncture worked and that placebo acupuncture worked too! Another acupuncture researcher recently decided not to use a placebo control in his research because any stimulation of the skin might be effective — which seems to me to pretty much destroy the whole rationale for acupuncture, but he didn’t seem to notice that. If that were true, we could just caress or massage our patients instead of inserting needles and postulating imaginary qi and meridians.
Considering the inconsistent research results, the implausibility of qi and meridians, and the many questions that remain, it’s reasonable to conclude that acupuncture is nothing more than a recipe for an elaborate placebo seasoned with a soupçon of counter-irritant. You can play human pincushion if you want, and you might get a good placebo response, but there’s no evidence you’ll get anything more.
A partir do dia 24 de setembro, e até o dia 14 de dezembro estará funcionando a exposição Einstein, no antigo prédio do Prodam, no Ibirapuera em São Paulo. A exposição está muito bonita e com muita interatividade.
Veja algumas reportagens recentes:
Para mais informações, visite http://www.einsteinbrasil.com.br